Excelentes dicas para quem quer viajar sozinha – destino: Roma

“Olá, a ti que planeias viajar sozinha mas não sabes se é boa ideia, eu sou a Maria e digo-te desde já: É uma excelente ideia!! Eu tenho 22 anos, estudo Geografia na UC e no final de 2016 decidi que este ano faria a minha primeira viagem. Não fazia parte do plano ir sozinha, mas fui e tornou-se o melhor acaso da minha vida.

A ideia inicial era Reiquejavique. Ia eu e uma amiga minha, mas fui trocada por um PUG!! Sim, a minha “amiga” comprou um cão e já não tinha dinheiro para a viagem. Eu estava tão entusiasmada com a ideia de viajar pela primeira vez que não deixei que isso me afetasse, então decidi que era forte e independente o suficiente para viajar sozinha, e foi exatamente o que fiz.

Já que ia sozinha, achei boa ideia visitar um amigo na Bulgária. Como tinha de fazer escala na ida e na volta em Itália pensei: “porque não uma das escalas durar uns dias?”. E foi o que fiz, fiquei em Roma dois dias. Enquanto que em Sófia tive o apoio do meu amigo, em Roma estive completamente sozinha, apenas com a proteção do Grandalhão lá em cima.

Semanas antes já andava super ansiosa com a viagem, nunca tinha andado de avião antes e para mim o que mais me assustava era perder-me lá dentro e não conseguir apanhar o avião. E EU TINHA DE FAZER ISSO 4 VEZES!! Mas isso não foi de todo um problema, os aeroportos são muito bem sinalizados e há sempre alguém por perto para te esclarecer alguma dúvida. AH! ISTO É UMA REGRA! Nunca tenhas medo ou vergonha de pedir direções ou ajuda, estás num local novo não tens de o conhecer já antes de chegares lá. Pede ajuda, é o primeiro passo para se fazer amigos em viagem.

A melhor dica que te posso dar é: PLANEIA TUDO, MAS SEM RIGOR! É importante chegares lá e já teres um autocarro à espera, um hostel reservado ou um bilhete comprado, mas nunca traces um roteiro demasiado rigoroso. Lembra-te que estás sozinha! És livre de fazer o que te der na gana. Pára mais 5 minutos para apreciar a vista, entra num café aleatório para beber uma cerveja, vai só aos sítios que te apetecerem e não aos que a sociedade acha que devias ir. Viaja por ti, viaja contigo, és a melhor companhia que podes ter!

Algumas das coisas que podes (e deves) planear em casa com antecedência são:

  • Ver como podes ir do aeroporto até ao sitio onde vais ficar hospedada. Geralmente existem autocarros que partem do aeroporto até ao centro da cidade. Em Roma por exemplo comprei o bilhete na “Terravision”.
    comprar bilhetes online para entrada em museus. Eu comprei o meu bilhete para entrar nos Museus do Vaticano no site “GetYourGuide”. O bilhete à entrada do museu custa por volta de 16€, e eu paguei 27€. Não tinha guias (o que para mim é ótimo por gosto de ver as coisas ao meu ritmo) e não tive de esperar na fila, entrei logo. Ou seja, paguei bem mais do que o preço normal, mas como só tinha 2 dias para visitar Roma inteira não podia ficar 3 horas numa fila à espera para entrar.

 

  •  Reservar um hostel. Este é obrigatório, porque corres o risco de chegares ao hostel e não teres vaga, e não é preciso correr riscos desnecessários. Eu fiquei no Hostel Alessandro Palace, bem perto do centro da cidade. Fiquei num quarto misto (porque eram os mais baratos) e não tive qualquer problema de privacidade. Éramos 8 pessoas, com duas casas de banho e respeitávamos o espaço uns dos outros. Um conselho para os hostels: eles geralmente têm cacifos, que podes usar gratuitamente, mas tens de ser tu a levar o cadeado. Eu não levei, então deixei a mala sempre ao pé da cama. Não mexeram em nada, mas tinha-me sentido mais segura se a mala estivesse guardada quando eu não estava no quarto.

 

  • E o mais óbvio de todos, comprar os voos com a maior antecedência. Um truque que eu usei é voar de noite. Os voos são mais baratos e é provável que chegues ao destino de manhã, o que te dá mais tempo do que se chegasses ao destino depois do almoço. É bastante cansativo acordar de madrugada e caminhar todo o dia, como se pode ver na minha cara, mas é um esforço que vale a pena. Se tiveres oportunidade compra uma viagem na época baixa. Para além de as viagens serem mais baratas, quando chegas ao destino é provável que haja muito menos turistas, o que te ajuda a conhecer realmente e essência da cidade.

 

Amigos

Em apenas dois dias conheci imensa gente, de diferentes países. O primeiro amigo que fiz foi o “F”, não conseguia dizer o nome dele, um indiano que mora no Dubai. Conhecemos-nos na receção do hostel, ele estava sozinho e reparou que eu também. Então, esperou por mim à porta do hostel e, quando saí, acenou com a mão em direção ao centro da cidade como um “é por aqui, vens?”. Eu simplesmente sorri, encolhi os ombros e acompanhei-o no caminho. Em menos de 5 minutos parecia que nos conhecíamos há uma vida!

É fácil fazer amigos quando se viaja sozinha, porque se estiveres num grupo ou com um amigo, vais involuntariamente prender-te às pessoas que estão contigo e acabas por te esquecer dos amigos que ainda não conheceste. Foi uma sorte conhecer o F, ele já lá estava há uns dias, então mostrou-me uma boa parte da cidade sem nos perdermos.

Saídas à noite

Na primeira noite que saí fui até um bar com muita gente, música e cerveja. Claro que o facto de estar sozinha deixou-me um pouco desprotegida em relação aos abutres que vão para noite tentar “sacar” o maior número de raparigas. Tentei manter-me sempre na minha, dancei sem dar confiança e passado um pouco passava para o outro lado da sala. Na segunda noite fui até a um Irish Pub, e como estou habituada aos horários portugueses sai do hostel com o objetivo de chegar lá por volta da meia noite. Qual não é o meu espanto, quando a música ao vivo acabou às 00:30 e o bar fechava pouco depois. A noite acaba muito cedo. Tenta sair um pouco mais cedo de “casa” para aproveitares ao máximo. À noite é quando tens de ter mais cuidado, eu talvez tenha arriscado um bocadinho, porque andei muitas vezes sozinha por ruas que não conhecia e que não eram muito movimentadas. Atravessei a estação Termini (metro) pela parte de fora e à noite aquilo transforma-se num “acampamento” de sem-abrigo. Não corri perigo nenhum, mas podia ter corrido mal. Mais uma vez, não há necessidade de correr riscos desnecessários.

Comida

Eu não levei muito dinheiro comigo, então comida não era uma prioridade muito grande. Na minha primeira refeição em Roma tive a brilhante ideia de comer à beira do Coliseu. Claro que qualquer refeição me ia custar os olhos da cara, então o mais barato que encontrei foi Lasanha, num restaurante indiano, que vinha em chumbo como as do supermercado e posso garantir que a do Lidl é mellhor! Paguei 8€! Resumindo, as minhas refeições seguintes foram sandes de atum compradas a 1€ nas lojas de conveniência: BEM BOAS! Ou seja, estive em Itália e não comi nem pizza nem pasta!! Uma vergonha!!

Fotos

Quando viajas queres sempre recordar todos os momentos mais tarde, e, para isso, nada melhor do que uma foto. Quando estás sozinha as duas únicas opções são: pedir a alguém que  te tire ou então o modo selfie. E, por muito que o selfiestick me irrite, na viagem tive de me render e usá-lo para ter umas fotos mais amplas sobre tudo o que via. Dá bastante jeito, leva um.

Peripécias

Comprei pela internet o bilhete do aeroporto até à estação Termini, mas esqueci-me de comprar da estação até ao aeroporto (bom trabalho cérebro!). Como o bilhete pela internet me tinha custado 4€ eu achava que o bilhete tirado na hora custava o mesmo preço, então tudo o que eu tinha na carteira eram 5€. Tudo muito bem, até que cheguei ao pé do autocarro a sinalizava 6€!! EU NÃO TINHA!! EU IA FICAR PRESA EM ROMA POR CAUSA DE 1€! Até que me lembrei que ainda tinha algumas levs (moeda búlgara): por muito que me custasse tinha de trocá-las por euros! Fui até uma loja de câmbios ali pertinho. Quando chego lá tem um aviso na porta de que foram tomar o pequeno almoço e voltavam a X horas… e essa hora já era depois do autocarro partir. Já só me passava uma ideia pela cabeça: “tenho de ir à Fontana di Trevi apanhar moedas.. Será que chego a tempo? Se calhar é melhor pedir dinheiro a alguém aqui!”. E foi então que tive uma epifania!! Todo o dinheiro que eu tinha levado para a viagem eu tinha-o espalhado em vários sítios da mala e no casaco, porque assim se me roubassem um bolso ainda tinha dinheiro no outro. Eu achava que não tinha mais dinheiro, mas por instinto meti a mão num pequeno bolso da mala e, “no meio de cotão e um botão”, encontrei 5€! Ali tive mesmo a certeza que estava a ser protegida por Ele naquela viagem!! Ufa! Resumindo, não faças o mesmo que eu. Fica sempre com algum dinheiro para emergências! Elas por vezes acontecem.

O regresso a casa

Por fim cheguei ao aeroporto Sá Carneiro! Tinha saído de lá ansiosa e com medos, e cheguei de coração cheio e de memórias- cheguei realizada! Provei ao mundo, e principalmente a mim mesma, que era capaz de qualquer coisa; e que viajar era a melhor sensação do mundo, principalmente quando não precisas de te justificar a ninguém e és livre como tu mesma podes ser!!
Cheguei de roupa e botas sujas, mas de coração e olhos a brilhar!!”

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